Cena do filme Perfume de Mulher

O Tango: nos filmes e mais

Como já falamos um pouco sobre a história do Tango, resolvemos trazer um pouco mais sobre como essa dança e música estão presentes no mundo hoje em dia.

O Tango já é parte da cultura mundial e tem até uma data internacionalmente reconhecida para celebrarmos sua existência, no dia 11 de dezembro é comemorado o Dia Internacional do Tango, a data foi escolhida para homenagear dois dos criadores de vertentes do ritmo musical, Carlos Gardel e Julio de Caro.

Festival de Tango
Um dos maiores eventos em torno dessa cultura é o Festival mundial do Tango, que já se tornou um clássico, acontecendo todos os anos em Buenos Aires, desde 2009, com repercussão internacional.
O festival conta com apresentações, competição, filmes, aulas, milongas, feiras, teatro, entre outras atividades culturais. A entrada para as atrações é livre e gratuita, mas é necessário inscrição prévia. Como curiosidade, informamos que em 2021 o festival acontecerá e será online, devido a pandemia do Covid-19.

Há também, uma grande competição no festival, o Mundial de Baile, que é dividido em duas etapas, classificatória e semifinais, com mais de 400 casais participando todo ano nas categorias: Tango de Pista e Tango de Palco.

Tango e a sétima arte
Um dos grandes impulsionadores do Tango, para que ele ganhasse fama mundial, foi a indústria cinematográfica que trouxe o ritmo e a dança argentina para as telonas do mundo inteiro. Há uma lista de filmes que giram em torno do tema ou têm cenas clássicas com coreografias. Alguns deles são: O último tango em Paris, Casque d’Or, O Conformista, Meu último tango, Volver, Uma lição de tango e muitos outros.

E para ficar mais pertinho dessa dança, resolvemos trazer três cenas de Tango em longas metragens:

Filme: Perfume de Mulher (1993)
Al Pacino interpreta um tenente-coronel cego, que mesmo com a barreira da visão, dança “Por una cabeza” de Carlos Gardel, em um restaurante de Nova York.

 

 

Filme: Moulin Rouge (2001)
O filme já é uma grade obra de arte com inúmeros shows de dança e música para contemplarmos, mas dessa vez chamamos atenção para a cena com a coreografia “El Tango de Roxanne”, que traz todo o drama e a força desse gênero.

Filme: Dança comigo? (2004)
Neste romance com Richard Gere, Jennifer López, Susan Sarandon, que gira em torno de aulas de dança, encontramos esta cena onde o tango (desta vez eletrônico) consegue ser elegante e sensual dentro do enredo do filme.

 

São filmes incríveis, alguns considerados clássicos. O que acha de preparar uma pipoca e assistir uma de nossas dicas neste final de semana?

Fontes: www.aguiarbuenosaires.com; www.turismo.buenosaires.gob.ar;
www.exame.com/casual/17-cenas-de-danca-inesqueciveis-do-cinema; www.adorocinema.com;
www.cultura.estadao.com.br/noticias/cinema,uma-selecao-de-filmes-para-homenagear-o-dia-internacional-do-tango,70003121917

Alongamento fascial

A importância da dança no alongamento da fáscia

A sensação de sair de uma aula de dança com a convicção de que a vida faz sentido é única. Conhecer sua própria estrutura e fluxos do corpo, sua anatomia, sua fáscia, abre um horizonte infinito de auto-conhecimento.

Quando falamos de alongamento, geralmente falamos da técnica que permite o estiramento das fibras musculares, aumentando ou mantendo o comprimento dos músculos, mas existem outras estruturas, tais como a fáscia (além de tendões e ligamentos), que também precisam ser alongadas.

Começemos por definir o que é

a fáscia é como uma teia de aranhaDetalhe do tecido conjuntivo ou fáscia

A fáscia é um sistema do corpo com a aparência bem similar a uma teia de aranha, feita principalmente de colágeno. Essa “teia” nada mais é do que um tecido conjuntivo fibroso gigantesco que cobre e interpenetra cada músculo, osso, nervo, artéria e veia, além de todos os nossos órgãos internos, incluindo o coração, os pulmões, o cérebro, a medula espinhal, etc. Os osteopatas foram os pioneiros a ter noção da globalidade da fáscia. Durante séculos, este tecido tem sido descartado pelos anatomistas clássicos como “material de embalagem”, mas sua importância foi descoberta recentemente pela ciência ocidental. A sua existência não é (ainda) de conhecimento popular, porém, muitos problemas de saúde, dor e até mesmo fatores relacionados à beleza e às emoções tem sua origem na fáscia.

O seu papel é, portanto, bastante significativo dentro da estrutura complexa que é o nosso corpo.

Anatomia da pele

Músculo, esqueleto e emoções

A fáscia representa o segundo fator mais importante que limita a amplitude de movimento. Isso porque o tecido conjuntivo corresponde a 30% da massa muscular e faz com que o músculo consiga mudar de comprimento. Portanto, o músculo só faz o que a fáscia quiser. Durante um movimento passivo, ela é responsável por 40% do total da resiliência do movimento.

Estamos falando então de uma estrutura contínua que percorre todo o organismo, de nossas cabeças aos nossos pés, sem interrupção. Dessa maneira, podemos perceber que ela mantém cada parte do corpo conectada e fornece uma camada protetora contra traumas externos, tanto aos órgãos, como ao corpo como um todo. O fato de o sangue, os nervos e os músculos estarem envolvidos e penetrados pela fáscia, permite que órgãos deslizem suavemente um contra o outro.

Também desempenha um importante papel de apoio ao sistema músculo esquelético. Esse suporte permite que realizemos atividades funcionais, como levantar quando estamos sentados, andar, pular e correr. Essa visão integrada do corpo e do movimento humano já é fortemente adotada na dança e, de fato, a prática da dança estimula a fáscia muito mais do que outras atividades físicas pela sua riqueza de movimentos. 

A fáscia também influi nas emoções: uma disfunção no sistema fascial devido a movimentos do dia-a-dia pode causar alterações emocionais.

Portanto, a vitalidade e a força da fáscia são fundamentais para a saúde e o trabalho em conjunto de todos os sistemas do corpo

Em seu estado saudável, a fáscia tem um aspecto ondulado e relaxado, podendo se alongar e mover sem restrições. Mas quando nosso corpo sofre traumas físicos ou emocionais, está em processo de cicatrização ou inflamação, ela perde essa flexibilidade.  Ao não oferecer mais o suporte adequado, transforma-se em uma fonte de tensão para todo o corpo. Então, traumas (quedas, acidentes de carro, cirurgias ou simplesmente a postura incorreta) em um determinado lugar podem ser sentidos em outras partes do corpo. De fato, estudos já mostraram que a tensão fascial no joelho, por exemplo, pode ter consequências em lugares como o quadril ou o tornozelo.

 

Exercícios de alongamento da fáscia

Dicas de alongamento

O segredo para uma fáscia saudável é movimento. Movimentar-se em vários eixos, várias direções e acrescentar balanceios estimula à produção do colágeno. Embora tanto o ioga quanto o pilates trabalhem na hidratação da fáscia, a dança é a atividade que mais atinge esse objetivo. Explore outros eixos de movimento, vá para um lado e para o outro, mude a posição dos pés e mãos. Outro ponto importante é que uma fáscia saudável consegue guardar energia, a qual será utilizada em atividades como marcha e corrida, solicitando um menor gasto energético do seu metabolismo. Você cansará menos.

É de extrema importância termos uma fáscia saudável, e isso implica em ter uma fáscia hidratada, elástica, resiliente e alongada.

Alongamento fascial

 

Fontes: www.alltheprettybirds.com/what-is-fascia-stretching; www.workandcare.com.br/blog; siteantigo. portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/medicina/sistema-fascial; www.blog.reabilitech.com.br/fascias/
Ilustração: Subin Yang
Imagens: Pinterest

bailarinos de tango

Tango, história e curiosidades

Com certeza quando você pensa em aulas de dança de salão, o tango vem a sua mente como uma das danças mais desafiadoras de todas!

Esta dança tem fama mundial, inspirou muitos filmes e é considerada “patrimônio imaterial da humanidade” de acordo com a UNESCO. Por isso, resolvemos trazer um pouco mais da história do tango para vocês!

O Tango é ritmo musical e dança!

Nasceu na Argentina no final do século XIX, a partir da mistura dos seguintes ritmos: polca europeia, havaneira cubana, candombe uruguaio e a milonga espanhola. É uma trilha sonora sincopada, marcada pelos instrumentos musicais violino, piano, contrabaixo, violão e bandoneón, muito influenciada por outras culturas de imigrantes espanhóis, italianos e franceses.

tango 1880

Inicialmente, em 1880, em público dançavam homens com homens. Naqueles tempos era considerada obscena a dança entre homens e mulheres abraçados, sendo este um dos aspectos que o manteve circunscrito aos bordéis, bares, cafés e prostíbulos nos subúrbios de Buenos Aires, para classes menos favorecidas de operários. Apenas algumas décadas depois, ganhou credibilidade em salões, chegando as outras classes sociais.

É uma dança altamente expressiva e dramática, que chama a atenção de muitos por misturar, de maneira única, em uma única coreografia, sensualidade, tristeza e certa agressividade. Segundo Enrique Santos Discépolo, um dos mais importantes autores de letras de tango, “o tango é um pensamento triste que se pode dançar”.

os pasos do tango

A partir de 1920, é dançado em pares com a mulher sempre, um pouco, à direita do homem, têm passos cerrados, marcados em pausas, com o corpo levemente inclinado. Formada por 8 passos principais, a dança é mais fácil do que parece, o mais desafiador é manter a postura e fazer os movimentos com precisão e intensidade, tornando a dança dramática e cheia de olhares.

Da Argentina para o mundo, o cantor Carlos Gardel ajudou na sua popularização, mostrando sua música nos palcos e com o filme “El día que me quieras”. Milhares de pessoas que visitam a Argentina, principalmente sua capital Buenos Aires, fazem questão de ir a casas de show para ver de perto o Tango.

Fontes: infoescola.com/musica/tango; historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/historia-do-tango; paixaopeladanca.com.br/surgimento-do-tango-entenda-como-e-onde-comeca-a-historia; todamateria.com.br/tango; ufrgs.br/estudoslatinoamericanos; passobase.com

A arte de se alongar, um importante benefício para o corpo

Você já se alongou hoje?

Independentemente da sua idade, ocupação ou condicionamento físico, se alongar é importantíssimo e extremamente benéfico para todo mundo!

O alongamento é um exercício físico para manter ou desenvolver a flexibilidade muscular e, também, uma das mais importantes categorias de exercícios. Pode ser praticado para conservar e restaurar o equilíbrio em cada uma das seguintes estruturas: músculos, fáscias, tendões e ligamentos.

Se alongar evita dores musculares e problemas nas articulações, deixa o corpo mais relaxado e flexível, aliviando o estresse e melhorando a qualidade de vida.

Você pode escolher por fazer uma aula de alongamento, visando obter os benefícios da prática para seu corpo, ou pode utilizar o alongamento antes e depois de outras atividades físicas. Entendendo que antes do exercício físico, se alongar serve como uma prática para prevenção de lesões musculares e é uma forma de preparar o corpo, deixando-o mais flexível, para o início da atividade. Enquanto ao final do exercício, o alongamento relaxa a musculatura, evitando possíveis dores.

Espreguiçar: o alongamento natural do corpo

Acordou com dor? Pois, não tem nada melhor do que começar o dia alongando antes mesmo de sair da cama. Sim! Nosso corpo sabe o que é melhor para gente e o ato de se espreguiçar é um alongamento involuntário, lubrifica as articulações, acorda o cérebro e prepara o corpo para as atividades do dia, melhorando sua disposição. É tão benéfico para o organismo que praticamente todos os animais o fazem.

Faça um experimento. Pegue uma fita métrica e anote a sua altura ao acordar. Antes de dormir, faça a mesma coisa. Vai notar que ficou alguns poucos centímetros mais baixo, mas não, você não encolheu, porém os seus músculos e os discos intervertebrais sim! Além da desidratação natural do corpo de uma pessoa que não bebe água com frequência, outro motivo que faz os discos reduzirem o seu volume é a pressão exercida pelo ar durante o dia e o encurtamento muscular. Por isso, alongar-se é essencial para a manutenção do corpo (e para manter sua altura).

Então, lembre-se: amanhã, antes de sair da cama, se espreguice e comece o dia com muito mais pique!

Gostaria de alongar com a gente? Confira nossa grade de aulas! Neste momento de “novo normal”, nossa aula de Alongamento acontece na plataforma Zoom; as aulas de Jazz e Contemporâneo também proporcionam excelente alongamento e são presenciais. 

Fontes: biomaniaacademia.com.br, portaleducacao.com.br

 

O ensino da dança para crianças

As aulas de ballet clássico se caracterizam por ter uma rigidez e disciplina bastante conhecidas, onde o professor mostra uma sequência de passos e posições do Ballet, que possuem, cada uma delas, sua nomenclatura. Em seguida, os alunos reproduzem esses movimentos, em um processo de repetição que busca a perfeição.

Mas a metodologia do ensino da dança para crianças é mais lúdica e tem se reciclado ao longo do tempo. 

Ludicidade

A ludicidade na dança infantil desenvolve o conhecimento para a vida pessoal e profissional com o intuito da criança interagir em seu meio social de forma prazerosa, proporcionando o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração.

Uma aula com características lúdicas não precisa necessariamente ter jogos ou brincadeiras. O que traz a ludicidade para sala de aula é muito mais uma atitude lúdica do educador e dos alunos. Assumir essa postura implica sensibilidade e envolvimento. Implica não somente uma mudança cognitiva, mas, principalmente, uma mudança afetiva e isso não é uma tarefa muito fácil, pois enfrenta uma quebra de paradigmas, muitas vezes, estabelecidos pelo processo educacional.

É importante lembrar que desenvolver aulas lúdicas, não significa brincar simplesmente, sem um propósito claro e objetivo. O “brincar” deve fazer parte do aprendizado e está inserido no planejamento, mas o professor precisa ficar atento aos objetivos.

Exemplo de atividade lúdica: pular corda. Objetivo: trabalhar a impulsão vertical através de pequenos saltos, com ritmo e coordenação motora.

Metodologia de ensino de dança para crianças. Ludicidade

Baby-class: brincadeiras que ensinam

Exercícios de força

Muitos professores são contra os exercícios de força na infância, mas os estudos atuais provam o contrário. Desenvolver a musculatura das crianças traz uma série de benefícios como: melhora da postura, melhora da coordenação motora, diminuição da possibilidade de lesão.

Além de desenvolver alunos com um preparo físico melhor para os exercícios que serão dados nos anos seguintes.

Exemplos de exercícios de força: gangorrinha para abdômen; exercícios com bola; pranchinha; pendurar da barra; exercícios com cadeira.

Uso de bola nas aulas de dança infantil

A bola não é só para o futebol e, hoje, o ballet não é mais só andar nas pontinhas dos pés ou fazer pliezinho e dar pulinhos. O trabalho é mais complexo e desde os primeiros anos incluímos alguns materiais para usar em sala.

A partir dos dois anos e meio já trabalhamos com bolas, um acessório colorido, super divertido, de vários tamanhos e texturas que ajuda no desenvolvimento infantil em diversos aspectos: fortalecimento muscular, alongamento, equilíbrio e motricidade. A bola, também, auxilia a despertar ainda mais a curiosidade e interesse dos pequenos, deixando a aula mais atrativa e participativa.

Fortalecendo as panturrilhas

Todo mundo já ouviu falar na “batata da perna”… a famosa panturrilha! Nela temos um músculo muito importante, que é muito usado nos esportes em geral.

A panturrilha é responsável por andar, correr, saltar, dançar, nadar, e até pra ficarmos em pé parados. Esse músculo também é responsável por bombear o sangue de volta para cima, o que ajuda a oxigenar o cérebro. Esse fortalecimento proporciona mais estabilidade, explosão muscular e volume. É um músculo bem resistente, por isso fazemos inúmeras exercícios de acordo com a idade, aumentando a intensidade conforme a evolução dos alunos. 

Metodologia no ensino da dança em crianças. Exercícios de panturrilha

Exercícios de panturrilha

Música + Ritmo + Dança = Concentração

A música estimula várias partes do cérebro de uma só vez, tanto em crianças como em adultos. Ela ajuda o desempenho mental, contribuindo bastante para exercícios de memória e concentração.

Criança que recebe estímulos musicais desenvolve também a capacidade de assimilar informações, melhora a audição, melhora a competência em ouvir com detalhes. Por isso, é muito importante a escolha das músicas, dando preferência às músicas cantadas e às que tem o ritmo bem marcado.

Para trabalhar a concentração e a atenção dos alunos através da música, realizamos atividades onde usamos o corpo para reproduzir o ritmo, como bater palmas, bater os pés no chão, bater nas pernas, ou em duplas as famosas brincadeiras de bater as mãos. E conforme a evolução das crianças, combinamos as palmas com as batidas dos pés, e assim dificultando cada vez mais, obrigando a memorização das sequências no ritmo proposto.

 
Lili Pelúcio é sócia diretora e professora de ballet clássico da Cia das Artes, com vasta experiência no ensino da dança infantil.

Ana Botafogo, a bailarina do Brasil

Ana Botafogo tem uma carreira incrível no mundo da dança. Conhecida por sua competência e comprometimento, a bailarina contagiou todos com seu amor pela dança e inspira jovens bailarinos e bailarinas do Brasil inteiro.

Ana Maria Botafogo Gonçalves Fonseca (Rio de Janeiro, 9 de julho de 1957) iniciou seus estudos de ballet clássico ainda pequena, em sua cidade natal, mas complementou sua formação na Europa. Sem pensar em seguir profissionalmente na dança, prestou vestibular para letras e foi aprovada. Foi graças a um tio diplomata que issou mudou quando foi convidada por ele a passar um tempo estudando na França. Após 3 meses estudando na Sorbonne, Ana resolveu prestar audição para o novo ballet do famoso coreógrafo Roland Petit, já que tinha levado as sapatilhas… Ana foi aprovada e tornou-se bailarina profissional do Ballet de Marseille. Fazia parte do corpo de baile, mas teve oportunidades de substituir algumas solistas quando estas se machucavam.

Nem tudo foi fácil na sua carreira. Ela conta que, quando convidada a dançar na Inglaterra, percebeu que não tinha visto de trabalho e só podia estudar, mas ela queria dançar profissionalmente! Passou por momentos de frustração, mas ressalta que a família sempre esteve muito presente, embora longe.

De volta ao Brasil no final da década de 70, Ana, ainda muito jovem, foi  nomeada primeira bailarina do Teatro Guaíra (Curitiba-PR),onde ficou por 2 anos. Quando voltou à sua terra natal fez parte da Associação de Ballet do Rio de Janeiro, dirigida por Dalal Achcar e, em 1981 prestou audição para o balé do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde ganhou o papel de Primeira Bailarina.

Ao longo de sua carreira, Ana Botafogo interpretou os papéis principais das mais importantes obras do repertório da dança clássica, como Coppélia, O Quebra Nozes, Giselle, Romeu e Julieta, Don Quixote, O Lago dos Cisnes, Zorba o Grego, A Megera Domada e muitos outros. 

Ana recebeu inúmeros títulos pelo reconhecimento ao conjunto do trabalho e divulgação da dança em todo o território nacional. Além disso, esteve no palco com outros grandes nomes da dança; alguns de seus principais partners foram Fernando Bujones, Jean Yves Lormeau, Julio Bocca, Stephen Jefferies, Lazaro Carreño, Alexander Godunov e Richard Cragun. Também dançou como artista convidada de importantes companhias de ballet, tais como: Saddler’s Wells Royal Ballet (Inglaterra), Ballet Nacional de Cuba (Cuba), Ballet del Opera di Roma (Itália), entre outras.

Sua entrada para o Carnaval se deu em 1991, quando recebeu um convite da União da Ilha, que tinha um carro alegórico que reproduzia o Teatro Municipal do Rio onde, segundo o diretor da escola, ela deveria apenas ficar parada para representar os artistas do teatro. Mas ela resolveu ir com suas sapatilhas e sambou o desfile todo nas pontas dos pés! Com isso ela popularizou ainda mais o Ballet.

Carnaval 2009 – Foto: Fábio Motta/AE

A estreia como atriz foi em 2006 com Páginas da Vida, novela de Manoel Carlos, onde viveu uma ex-bailarina. Ana foi casada duas vezes e ficou viúva as duas vezes, e assim permanece até hoje.

Considerada, tanto pelo público quanto pela crítica, uma das mais importantes bailarinas brasileiras, Ana Botafogo pode ter se aposentado dos palcos, mas ainda é uma grande referência e inspiração para todos.

 

DICA DE LEITURA – No livro “Ana Botafogo: Na Ponta dos Pés”, Ana fala do cotidiano de uma bailarina, dos sonhos, amores, das esperanças e dos medos; da importância de se trabalhar numa companhia de balé, onde há outras pessoas com quem dividir o dia a dia de trabalho, pois, para ela, a dança é uma profissão que estimula o egoísmo. Conta também a importância que a família e os amigos têm em sua vida. A obra é baseada em entrevistas para a jornalista Leda Nagle e para a bailarina, coreógrafa e ex-diretora do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Dalal Achcar.

Fontes: maosquedancam.blogspot.com, donadanca.com.br, web tv facha, fotos.estadao.com.br/fotos/cidades,carro-que-trouxe-a-bailarina-ana-botafogo-foi-um-dos-mais-luxuosos-do-desfile,294406

Ady Addor, grande mestre de ballet

O nome de Ady Addor remete automaticamente, a uma profissional de carreira sólida e que foi capaz de ensinar com maestria. A bailarina e maítre de balé, reconhecida internacionalmente, atuou como primeira bailarina em companhias como: Ballet do IV Centenário de São Paulo, American Ballet Theatre de Nova York, Ballet Nacional de Cuba e o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

 

Ady Addor nasceu no Rio de Janeiro em 1935, onde passou a infância e a adolescência. Aos 10 anos, ingressou na escola de balé e, aos 16, deixou os estudos para seguir a carreira de bailarina. Dois anos mais tarde, um crítico de dança foi a sua casa pedir que seus pais permitissem sua mudança para São Paulo, a fim de que ela pudesse integrar o corpo de baile do Balé do IV Centenário. A bailarina logo foi promovida a solista, o que representou um grande salto em sua carreira. Com o fim da companhia, criada para as comemorações dos 400 anos da cidade de São Paulo, Ady se transferiu, por um ano, para o American Ballet Theatre. Depois, ela se casou e parou temporariamente de dançar. Voltou aos palcos quando, morando com o marido na Venezuela, conheceu Alicia Alonso e integrou por dois anos o Ballet Nacional de Cuba. Encerrou completamente a carreira de bailarina em 1961, para ser professora de ballet e coreógrafa.

Ady morreu em agosto de 2018, aos 82 anos, ainda dando aulas de ballet, após uma carreira de sucesso. É de su criação o projeto Mestres da Dança, que tinha como objetivo aproximar grandes professores que escreveram a história do ballet no Brasil dos bailarinos e professores da nova geração.

Há dois anos do seu falecimento, assim lembramos dela:

“Ady era inspiradora!!! A cada aula fazia com que nos sentíamos num palco, capazes sempre de nos superarmos. Fazia com que nossa imaginação de estarmos penduradas por cordinhas no teto, nos levasse ao verdadeiro equilíbrio e leveza… Era de uma força e exigência que nos fazia chegar à perfeição… Eu tinha um enorme respeito e admiração por essa Mestra que agora virou uma estrela no céu…” (Lili Almeida, professora de ballet e sócia proprietária da Cia das Artes)

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“Ady era uma mestra generosa, dedicada a arte do ballet, sempre atenta a corrigir os grandes e mínimos detalhes. No começo podia-se achar que ela era ríspida porém aos poucos, ela ia mostrando que nao era tão dura.

Um olhar aguçado, uma inteligência para a dança impressionante! Foi ela quem me explicou as forças contrárias, e como achar o eixo que nunca mais perdi. Passava sequências maravilhosas e pequenos saltos dificílimos, adágios que exigiam força e leveza. Um grande privilégio que tive foi dançar uma coreografia sua, ser ensaiada por ela, uma dança que aliava a técnica com a fluidez ao lado de 2 lindas bailarinas.

Aprendi muito com Ady Addor, como professora e sua conduta impecável dentro de sala de aula. Me espelho no que ela foi e levo o que aprendi ao meus alunos. E hoje agradeço por ter aprendido tanto com ela!” (Camilla Maximiano, professora de ballet)

Fonte: dancaempauta.com.br, acervo.museudapessoa.org

 

Daiane e o Brasileirinho

Daiane dos Santos foi a primeira ginasta brasileira, entre homens e mulheres, a conquistar uma medalha de ouro em uma edição do Campeonato Mundial. Ela fez parte da primeira seleção brasileira completa a disputar uma edição olímpica, nos Jogos de Atenas, repetindo a presença nas edições seguintes, nas Olimpíadas de Pequim e Londres.

Winnipeg, Canada, 1999. Foto:Washington Alves/COB/Divulgacao

Daiane possui dois movimentos nomeados após ser a primeira ginasta no mundo a realizá-los: o duplo twist carpado, ou Dos Santos I, e a evolução deste primeiro: o duplo twist esticado, ou Dos Santos II, que possui maior grau de dificuldade.

Em 2003, ao executar pela primeira vez o duplo twist carpado, ao som de Brasileirinho, Daiane conquistou a medalha de ouro na prova do solo do Campeonato Mundial de Anaheim, nos EUA.  O Brasileirinho é um choro composto em 1947 por Waldir Azevedo.

Hoje, acrobacia e canção raramente são dissociadas da atleta e fazem parte de sua identidade no imaginário brasileiro.

Daiane começou aos 11 anos, mais tarde que a maior parte dos ginastas, mas a paixão pela ginástica e o esforço dentro do ginásio rendeu frutos: aos 13 entrou para a seleção e competiu o Sul-Americano, ganhando medalha. Enquanto treinava e competia, cursou a carreira de Educação Física. Na sua carreira, Daiane conquistou 9 medalhas de ouro em etapas de Copa do Mundo. Suas últimas apresentações como ginasta ocorreram nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012. Aposentou-se aos 29 anos. Atualmente trabalha no projeto socioeducativo Brasileirinhos. “Quero quebrar o tabu de que a ginástica é pro Sul e Sudeste. A ginástica é pra quem gosta, pra quem está apaixonado”.

Fontes: wikipédia, gazeta esportiva, confef.org.br/confef/comunicacao/revistaedf/4489

Dança e cinema 2

Mikhail Baryshnikov no filme MOMENTO DE DECISÃO (The turning point, 1977)

No início de 1978, o cineasta americano Herbert Ross se viu em uma situação agradável, mas um tanto rara em seu meio. Seus dois trabalhos lançados no ano anterior concorriam ao Oscar de Melhor Filme, tornando-o rival dele mesmo. A comédia romântica “A garota do adeus” deu o prêmio de melhor ator a Richard Dreyfuss, enquanto sua maior aposta, o drama familiar “Momento de decisão” saiu da cerimônia sem nenhuma estatueta, apesar de suas generosas 11 indicações. Mas isso não reflete o fato de ser um dos mais consistentes dramas sobre os bastidores do balé, mesmo que o utilize apenas como pano de fundo de uma história humana e envolvente.

https://www.youtube.com/watch?v=AssRlsPH578
Trailer do filme

Primeiro filme de Mikhail Baryshnikov, a sua capacidade de interpretação lhe rendeu uma indicação ao Oscar.

Sobre o filme

“Momento de decisão” conta a história de duas mulheres de mundos aparentemente diferentes, mas que possuem dentro delas muito mais em comum do que aparentam. Shirley MacLaine vive Deedee Rodgers, uma dona-de-casa que abandonou uma promissora carreira como bailarina profissional para dedicar-se à família. Ao lado do marido, dirige uma escola de dança, enquanto vê os filhos (dois dos quais também são bailarinos) crescerem. Sua amiga de juventude, Emma Jacklin (Anne Bancroft) é exatamente seu contrário. Abdicou da vida pessoal para cuidar da carreira, tornou-se uma admirada e invejada bailarina, protagonista das mais importantes coreografias. Quando as duas se reencontram, o conflito se instala. Entre as duas, no epicentro do drama, a filha de Deedee (Leslie Browne, bailarina do ABT), tenta seguir seu próprio caminho, que se complica quando ela se apaixona por Yuri (Mikhail Baryshnikov), um bailarino russo com quem divide os palcos e suas primeiras noites.

Poster do filme

Sobre Mikhail Baryshnikov

Nasceu em 1948 na União Soviética e começou seus estudos de balé em 1960. Seu talento, em particular a força de sua presença e a pureza de sua técnica clássica, foi reconhecido por vários coreógrafos soviéticos que criaram coreografias para ele. O virtuoso Vestris, de Jacobson, em 1969, juntamente com a intensidade emocional de Albrecht, em Giselle, tornou-se a sua assinatura.

https://www.youtube.com/watch?v=SAdqlXrDycY
Vestris (1969)

Iniciou sua promissora carreira no Kirov Ballet em Leningrado. Durante uma apresentação da companhia no Canadá, em 1974, buscou asilo no país e, em 1986, naturalizou-se norte-americano. Após atuar como autônomo ao lado de várias companhias, juntou-se à Companhia de Ballet de NY como solista para aprender o estilo de movimento de George Balanchine. Ele dançou com a companhia American Ballet Theatre, onde posteriormente se tornou diretor artístico. Baryshnikov liderou muitos de seus próprios projetos artísticos e foi associado principalmente à promoção da dança moderna. Seu sucesso como ator no teatro, cinema e televisão o ajudaram a se tornar provavelmente o mais largamente reconhecido bailarino contemporâneo.

Outros filmes com Mikhail Baryshnikov: O sol da meia-noite (White Nights de 1985) ao lado do dançarino e ator americano, Gregory Hines; Dancers (1987).

https://www.youtube.com/watch?v=0nIzuFfQBbM
Mikhail Baryshnikov e Leslie Browne

 

 

Fontes: umfilmepordia.blogspot.com, adorocinema.com

 

 

Jorge Donn Bolero Ravel Béjart

Dança e cinema 1

Duas expressões da arte que amo demais!

Mas não quero falar de filmes de dança e sim daqueles onde uma sequência de dança deixa você flutuando como num estado de graça!

O primeiro que vem na minha cabeça é Retratos da Vida (Les uns et les autres), obra prima do diretor francês Claude Lelouch, de 1981. No filme, a vida de três gerações de quatro famílias em diferentes países (Rússia, França, Alemanha e EUA), todas ligadas pela música, são afetadas pela Segunda Guerra Mundial.

Suas vidas se cruzam ao final do filme, em uma cena marcante: um grande concerto pela paz embaixo da Torre Eiffel, promovido pela Cruz Vermelha. Bailarinos, cantores, músicos e maestro se reúnem para celebrar a vida.

Em suma, um filme de mais de duas horas e meia de duração, com um final apoteótico de mais de dez minutos graças à sensualidade da coreografia de Maurice Béjart, à interpretação excepcional de Jorge Donn e a intensidade do Bolero de Ravel.

Por isso, cada vez que ouço o Bolero, o primeiro que vem na minha mente é Jorge Donn.

Jorge Donn nasceu em 1947 em Argentina e morreu precocemente por complicações do Sida em Lausanne, Suíça, aos 45 anos. Começou a dançar de pequeno no Instituto de Arte do Teatro Colón. Em 1963, nesse mesmo teatro, o Ballet do Século XX, companhia de Maurice Béjart, se apresenta em Buenos Aires pela primeira vez. Nessa mesma gira, a companhia se apresentaria também no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Ao finalizar o espetáculo, um garoto corre até seu ídolo, Béjart. Com 16 anos, corpo magro e reto, rosto meigo e nervos alterados, Donn pede ao coreógrafo permissão para assistir as suas aulas. O mestre aceita. No fim da aula, quase sem pensar, o jovem pede ir com ele para a Europa e formar parte da sua companhia. Béjart responde que estão completos e que ele é muito jovem ainda. Mas Jorge já está decidido. Compra uma passagem de barco só de ida para a França. Três meses mais tarde participa das aulas de Béjart. Um dos bailarinos da companhia adoece e Jorge o substitui. Três anos depois, ele inspirava as peças de um dos mais importantes coreógrafos da história moderna da dança: Maurice Béjart.

A crítica internacional descreveu a Jorge Donn como uma personalidade magnética, com vigor atlético e fluido lirismo, identificando-o como um ator do movimento. Foi muitas vezes comparado a um felino, pelas suas caraterizações, sua sensualidade e pelos seus cabelos cacheados longos e loiros.

Teve como partners inúmeras estrelas do balé mundial como Maia Plissetskaia e Márcia Haydée. Passou pelo New York City Ballet, onde trabalhou com George Balanchine e participou também de produções nos teatros mais importantes do mundo, incluindo o Bolshoi.

Béjart criou sua primeira versão para o Bolero em 1961, dançada por homens, tornando-a uma de suas obras mais importantes. Ele manteve o argumento original: o solista que dança sobre uma mesa e contagia outros dançarinos à sua volta. Em Retratos da Vida, Jorge Donn a imortalizou.

Para quem acha o Bolero entediante, compartilho outra cena de dança do filme, de grande beleza visual: Jorge Donn dançando em um majestoso palácio ao som do 4º movimento da 7º Sinfonia de Beethoven.

Sobre o Bolero
Criado em 1928, é a obra mais conhecida do compositor francês Maurice Ravel (1875-1937) e uma das mais populares de todo o repertório clássico. De fato, o Bolero é executado a cada dez minutos no mundo.
Ravel tinha concordado em escrever um balé com acento espanhol para a dançarina russa Ida Rubinstein. A melodia simples é repetida por 169 vezes, em crescente, até finalmente liberar a tensão reprimida em uma explosão catártica.
O Bolero, com coreografia de grande sensualidade assinada pela renomada Bronislava Nijinska,  irmã do bailarino Nijinski, estreou na Ópera de Paris e foi recebida com estardalhaço por uma ruidosa plateia que aplaudia e berrava. Uma mulher foi ouvida gritando: “O louco! O louco!” referindo-se ao compositor. Quando Ravel soube do ocorrido, teria respondido: “Aquela mulher… ela entendeu”.

Fontes: Enciclopédia Latino-americana; cinepipocacult.br.

 

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