Anna Pavlova, uma lenda e uma sobremesa

Você já deve ter provado ou ouvido falar da sobremesa Pavlova. A pavlova é um bolo a base de merengue, crocante por fora e macio por dentro, sendo por vezes decorado com frutos em cima. O que talvez você não saiba é que este doce foi criado em homenagem à bailarina russa Anna Pavlova.

Anna Pavlova nasceu em São Petersburgo em 1881. Aos oito anos, como presente de aniversário, sua mãe a levou para assistir o balé “A Bela Adormecida”. Anna emocionou-se tanto, que decidiu a partir daquele dia se dedicar à dança.

Fez carreira ainda muito jovem no Ballet Imperial Russo e mais tarde, com a própria companhia, realizou várias turnês pela Europa, América e Ásia. Grande bailarina, destacou-se pela disciplina e pela técnica brilhante, a que uniu a grande expressividade de sua força individual. O seu repertório era clássico, convencional, mas gostava de incluir números de danças étnicas.

Seu ballet mais famoso foi “A morte do cisne”, modificado especialmente para ela pelo coreógrafo Mikhail Fokine. A crítica especializada em ballet é unânime em afirmar que ninguém nunca dançou com tanta dor e talento “O lago dos cisnes“, de Tchaikovski. Suas turnês inspiraram toda uma geração e, com nunca antes, Pavlova levou o ballet a muito mais pessoas. Veio ao Brasil várias vezes, apresentando-se em 1918 no Teatro da Paz em Belém do Pará, e na década de 1920 no Teatro Municipal de São Paulo e do Rio de Janeiro.

No final do século XIX o ideal da bailarina era ter um corpo compacto e musculoso, para poder atender aos requisitos de técnica e performance. Anna Pavlova mudou esta visão com a sua figura feminina, graciosa e delicada. Foi uma das primeiras bailarinas a usar um reforço de couro na sapatilha de ponta. Seus pés eram finos e o peito do pé muito curvado. O reforço servia para minimizar o stress nos dedos e facilitar a execução do “en pointe”, mas as sapatilhas ficavam com uma base mais larga, por isso ela retocava todas as suas fotos para que a ponta parecesse mais fina, preservando o ideal romântico de dançar em pontas minúsculas. Isso que na época causou polêmica, com o passar do tempo tornou-se padrão.

Após uma turnê pela Europa e voltando para a Holanda, o comboio em que viajava descarrilou. Anna resolveu sair do trem para ver o que tinha acontecido e vestindo roupas leves foi caminhando pela neve. Dias mais tarde, foi acometida de forte pneumonia. O cisne estava sozinho no lago. A mulher que poderia retratar a morte e a transfiguração no palco estava lutando por sua vida. Morrendo, ela pediu que seu traje de cisne lhe fosse trazido. Faleceu semanas depois, no auge da fama e perto de completar 50 anos. Somente a morte poderia separá-la da dança.

A sobremesa capta perfeitamente o espírito e a arte de Pavlova. O merengue assemelha-se a um tutu cheio de ondas, e as frutas coloridas lembram o brilho vertiginoso de sua dança. A própria vida do doce parece espelhar a famosa rotina das penas de Pavlova: a beleza desaparece rapidamente depois da criação e, a menos que seja consumida, a fruta e o creme despencam – uma sobremesa que morre, como o cisne.

E não deixe de assistir esta jóia de 1920! https://www.youtube.com/watch?v=5SIhAVGDGPs

Fontes: estoriasdahistoria12.blogspot.com; biografias.netsaber.com.br; dancer.com

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